E algumas madrugadas ela vê brotar borbulhando, sem explicação aparente, aquela quantidade enorme de amor transparente do seu peito.
Inexplicavelmente, não por aquele que nutre e cuida – embora esse tenha sua boa cota – mas por aquele que só trouxe dor e destruição. Um amor que jamais, jamais chegará a seu destino – rejeitado na fonte. Então só lhe resta ver brotar e jogar fora, jogar fora, esperando o dia que a fonte seque.
Porque por mais bonito, cheiroso e de bom aspecto que seja, já nasceu para o descarte. Por mais amor que seja, nasceu lixo.
14 Agosto , 2009
Categorias: dos mais profundos sentimentos . . Autor: lailashadows . Comentários: Deixe um comentário
Estou praticamente uma pessoa normal de novo. Racional. Enfim, uma mulher inteira.
Ainda não cheguei no auge da minha atividade, ainda tenho longos períodos em que dormir é muito mais interessante que ficar acordada. Tenho sonhos ótimos.
Demorou mais ou menos um mês essa cicatrização emocional. Mas nada seria tão rápido se não fosse as maciças doses de carinho ministradas pelo Exposo. Não existe cicatrizante melhor.
Se eu não tenho vergonha e não me sinto culpada por esse tratamento, depois de viver um caso de amor com outra pessoa enquanto morava no apartamento dele? Não.
Porque eu não tive escolha. Porque eu não menti. Porque ele podia ter me botado para fora quando bem entendesse.
Mas parece que o carinho que temos um pelo outro é maior que tudo isso
5 Agosto , 2009
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Pessoa nefasta que saiu há pouco da minha vida está de aniversário. E está com outra pessoa. Como eu sei não vem ao caso.
E isso começou a doer muito, muito, ontem à noite. A ponto de dar duas da manhã e eu não conseguir dormir. Até que eu gritei pra migo mesma: “Não!” Não era possível. Não era um cara escroto num relacionamento superbreve que estava me deixando assim. E pouco me importava com quem ele estivesse, eu não tenho esse tipo de ciúme. Aí a porra da ficha caiu.
O problema não é ele ter ido – apesar de como sempre eu ter dado o meu melhor, apesar da violência da despedida e das agressões. A questão é que eu tenho 37, Exposo está dando outro rumo para sua vida, não posso confiar na minha família, mas, como todo mundo, não quero ficar sozinha.
Tão básico, não? Mas para mim teve o impacto de uma bofetada. Chorei um bocado, um choro soluçado que esperou muito para sair do meu peito. Só parei porque quase acordei o Exposo.
É tão patético. Tenho quase quarenta anos e quero um namorado. Alguém pra mandar torpedo no meio do dia, pra discutir as noticias do dia à noite, pra planejar fim de semana. Porque talvez eu já tenha dito: nunca tive um. Tive uma dezena de amantes e um marido. Namorado, não.
Sinto-me o cúmulo do banal. Um caso típico de psicanálise. Tenho vergonha de mim mesma.
26 Julho , 2009
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Mas a dor um dia ameniza e você olha para o mundo. E se deu conta que enquanto era ferida por um, feria outro também.
Não, você não tinha como evitar. Não é questão de ser justo ou injusto. Tem coisas que estão na vida, sem licença.
E para se reerguer, você precisou incondicionalmente desse homem. E ele esteve lá. Quantas vezes? E quantas vezes estará?
25 Julho , 2009
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É uma pessoa entrar na sua vida, você entrar na vida dessa pessoa.
Depois de algumas semanas, a pessoa te rejeita como parceiro romântico. Embora te mande olhares. Embora deixe claro que pode mudar de idéia completamente em um mês ou dois.
Isso dói, mas você contorna, porque valoriza muito a amizade.
Mas depois de dois ou três meses, a pessoa decide te riscar do livro dela. Como amiga, como conhecida, como tudo.
Por que? Por nada. Você não fez nada, não forçou nada, não fez nada além de ser a maior parceira possível. Talvez porque ele tenha ficado contigo “sem querer”. Talvez por ter nascido no dia errado. Talvez, talvez.
E você vira nada. Todas as coisas boas e a energia boa que você empregou viram lixo. Não adianta você me dizer que a pessoa não merecia. Eu sei que não merecia. Mas foi pra ele que eu dei, né? Por ele que me apaixonei. Não adianta não merecer.
O único consolo é que esse lamento nunca será ouvido por aqueles ouvidos que ladeiam um cérebro tão cruel, que seus verdes olhos não se fecharão para rir disso. Nunca.
E que um dia ele talvez seja pouco mais que nada, pouco mais que um risco na minha memória tão traiçoeira.
23 Julho , 2009
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Mas tem dias que dói mais. Rimou, foda-se.
Estou bem. Realmente bem. Não sabia que um corte radical podia ser tão salutar. Aos poucos (bem poucos, meu processo é lento e não estou apressando – melhor lento e bem feito), minha vida volta ao normal, meus interesses.
Mas tem dias como hoje que dói mais. Que as lembranças vem com uma insistência irritantemente maior . E dói que dói que dói. É cheiro, é cena, frases. Maldita memória.
Esperar passar. Amanhã há de chegar e será outro dia.
22 Julho , 2009
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Estou vivendo num mundo suspenso, aquecido pelo carinho do exposo.
Passo boa parte do tempo dormindo, vejo alguns filmes. Sei que estou na iminência de fazer coisas, mas passo pra lá. Acho que não vou conseguir fazer derbake nem dança esse mês. Nem estudar.
Procuro atender o mínimo o telefone. Não estou brava com ninguém. Só não quero falar. Porque quando falo, falo bobagem. E não quero mais ouvir minha voz dizendo as mesmas coisas. Se tivesse dinheiro, uns dias fora seria ótemo. Mas não tenho.
Eu não acho o mais legal estar neste estado. Mas eu não me incomodo tanto com ele, é um processo que eu tô passado. O foda é o resto do mundo, das senhoras donas da verdade, “não me permito isso, não choro, não deixo passar de tantos dias” respeitarem tudo isso.
Ai! Eu queria estar bem longe daqui.
15 Julho , 2009
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Eu tirei, arranquei, extirpei, magoei. É verdade. E assumi tudo isso.
E vi vários motivos de desatenção para fazê-lo. E eles existem.
Mas me sinto compelida a confessar que o principal foi ciúme. Não aguentei ver aquele mulherio todo na tua vida. A facilidade com que você trai a MULHER QUE VOCÊ AMA. Por cujo amor, em tese, você teria me deixado.
Não aguentei te ver desejando outras, me tendo à disposição. Porque eu nunca deixei de te querer pra mim. Porque quando você me pediu amor, eu te dei um sentimento verdadeiro. E eterno.
Então te prefiro morto, te prefiro longe, te prefiro lembrança, do que me ver tão pequena na lista imensa das tuas paixões instântaneas.
13 Julho , 2009
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Não existe nenhum requinte na dor. Não existe charme em olhos inchados de tanto chorar. Não existe nada de interessante em uma mulher sozinha lutando contra o próprio peito por dias a fio.
Levante o braço quem vê algo de atraente em uma mulher que não consegue sair do próprio cubículo por mais de 100 horas, sem forças para preparar o próprio alimento ou cuidar da higiene pessoal mais básica. Não, isso não cabe bem numa música nem numa página de romance.
Sim, eu morri OUTRA VEZ e voltei, buscando dentro de mim mesma o que não havia mais. E sim, não me pegam de novo TÃO FÁCIL. Mas, definitivamente, não teve a menor graça.
11 Julho , 2009
Categorias: dor, dos mais profundos sentimentos . . Autor: lailashadows . Comentários: Deixe um comentário
Era tempo. Romperam-se todos os laços, as últimas verdades – e as últimas mentiras foram ditas. Tudo destroçado aqui dentro, não bastou sair da casa, ele teve que quebrar toda a louça, os cristais, até os vidros mais baratos e menos nobres.
Estou numa posta, num amontoado de dor e sangue, trancada nesse cúbiculo, com medo de contatar com pessoas. As horas vão passando e eu sei que não conseguirei ir para as minhas aulas.
Eu não sei se choro, se me debato, se encho de impropérios ou se calo. E não sei mais como se sai disso, embora já o tenha feito “n” vezes. Eu não sei mais.
7 Julho , 2009
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